Ao longo de cinco décadas de carreira, destacou-se na luta contra o apartheid, presidiu ao tribunal que julgou crimes relacionados com o genocídio no Ruanda e chefiou a área dos direitos humanos das Nações Unidas.
O anúncio foi feito esta sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo, na Noruega, pelo Comité Norueguês do Nobel, que considerou Pillay um exemplo na promoção da paz e do direito internacional. A jurista tornou-se a primeira mulher não branca a integrar a mais alta instância judicial da África do Sul, tendo também contribuído para garantir assistência jurídica a Nelson Mandela durante o período em que esteve preso pelo regime do apartheid.
Nascida em Durban, numa família de origem tâmil indiana, Navi Pillay construiu a sua carreira num contexto marcado pela discriminação racial e pela exclusão da maioria negra dos direitos políticos e civis. A sua intervenção contra o regime segregacionista contribuiu para o reconhecimento do seu trabalho, tendo sido nomeada para a Suprema Corte sul-africana por Nelson Mandela.
A partir de 1995, a sua carreira ganhou dimensão internacional, com a participação em instituições judiciais ligadas à defesa do direito internacional. Pillay presidiu ao Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano.
Entre 2008 e 2014, exerceu igualmente o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, função a partir da qual acompanhou questões relacionadas com a protecção dos direitos fundamentais em diferentes partes do mundo.
Mais recentemente, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o território palestiniano ocupado, Jerusalém Oriental e Israel. O órgão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, no contexto da guerra com o Hamas, uma conclusão que integra o trabalho de investigação da comissão.
Após o anúncio da distinção, o presidente do Comité Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que a escolha representa também uma mensagem dirigida aos que, na sua perspectiva, procuram enfraquecer o sistema internacional. Pillay, por sua vez, manifestou surpresa com a atribuição do prémio e reafirmou a importância da defesa dos direitos humanos.
A jurista é a 21.ª mulher a receber o Nobel da Paz, numa lista que reúne 144 laureados, segundo os dados divulgados. A distinção inclui uma medalha e um prémio monetário de 12 milhões de coroas suecas.



































