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POLITICA Publicado em 09/10/2026 às 15:00 16 visualizações

UNITA QUER DESTINAR PARTE DAS RECEITAS DO PETRÓLEO E MINERAIS A UMA “CONTA JOVEM SOBERANA”

A UNITA propõe a criação, por lei, de uma “Conta Jovem Soberana” para todos os angolanos dos 18 aos 35 anos, financiada anualmente por uma percentagem das receitas provenientes do petróleo, gás e minerais estratégicos.

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UNITA QUER DESTINAR PARTE DAS RECEITAS DO PETRÓLEO E MINERAIS A UMA “CONTA JOVEM SOBERANA”
Imagem: CNN Portugal

A proposta, apresentada pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, prevê que, a título de exemplo, 10% das receitas petrolíferas sejam canalizadas para um fundo destinado a financiar formação, empreendedorismo, habitação e outras necessidades de desenvolvimento dos jovens.

A proposta pretende transformar uma parcela da riqueza gerada pelos recursos naturais num mecanismo de capitalização da juventude, através de contas digitais individuais acessíveis por telemóvel. O modelo defendido pela UNITA não prevê a entrega directa dos valores em dinheiro para consumo corrente, mas a sua utilização condicionada a finalidades previamente definidas.

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Segundo Adalberto Costa Júnior, cada jovem elegível teria acesso a um valor resultante da repartição dos recursos anualmente destinados ao fundo. Esse montante poderia ser utilizado para pagar matrícula e propinas de cursos técnicos ou universitários, adquirir ferramentas para iniciar uma actividade económica, financiar a formação de cooperativas agrícolas ou contribuir para a aquisição de uma habitação.

A proposta estabelece ainda que os recursos possam ser aplicados em áreas como educação, saúde, habitação e empreendedorismo, mediante regras de utilização definidas previamente. A lógica apresentada pelo líder da UNITA é a de transformar a receita proveniente dos recursos naturais em investimento no desenvolvimento individual e económico dos jovens.

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Fundo fora da gestão directa do Governo

Um dos elementos centrais da proposta é a forma de gestão. Adalberto Costa Júnior defende que o fundo seja considerado património do povo e não do Governo, devendo ser administrado por uma entidade independente.

A estrutura de gestão proposta incluiria representantes da sociedade civil, universidades, igrejas, sindicatos e jovens. O modelo prevê igualmente publicidade das contas e auditorias internacionais, como mecanismos destinados a reforçar a transparência e a fiscalização dos recursos.

A proposta coloca, desta forma, a gestão das receitas destinadas ao fundo no centro do debate, ao defender que a aplicação dos recursos não fique dependente exclusivamente de decisões do Executivo.

Formação técnica como segundo eixo

A iniciativa apresentada pela UNITA não se limita à criação das contas individuais. O segundo eixo é a implementação de uma Bolsa Técnica Nacional, destinada à formação profissional de jovens em áreas consideradas estratégicas para a economia.

Entre os sectores apontados estão as tecnologias de informação e programação, agricultura e agronegócio, energias renováveis, construção civil e infra-estruturas, saúde, logística e transportes, além do turismo e hotelaria.

A proposta prevê formação em todas as províncias, em parceria com empresas privadas, universidades e institutos politécnicos, incluindo estágios e certificação profissional. A intenção declarada é aproximar a qualificação dos jovens das necessidades do mercado de trabalho.

Microcrédito sem juros e com dois anos de carência

O terceiro eixo é o “Crédito Zero Jovem”, mecanismo através do qual jovens com projectos empresariais poderiam ter acesso a microcrédito sem juros e com um período de carência de dois anos.

O modelo proposto prevê que o candidato apresente um projecto ou plano de negócios, posteriormente avaliado por técnicos independentes. Se aprovado, o financiamento seria concedido através da banca, com o fundo a funcionar como garantia do empréstimo.

A proposta estabelece ainda um mecanismo de responsabilidade financeira: caso o beneficiário cumpra o pagamento, os recursos regressariam ao fundo para financiar outros projectos. Em caso de incumprimento, o fundo cobriria o empréstimo, mas o beneficiário teria o seu histórico de crédito afectado e perderia o acesso a futuros financiamentos, segundo a formulação apresentada pelo líder da UNITA.

Uma proposta que coloca a riqueza petrolífera no centro do debate sobre juventude

Ao apresentar a “Conta Jovem Soberana”, a UNITA coloca novamente no debate político a questão sobre como transformar as receitas provenientes dos recursos naturais em benefícios de longo prazo para a população, particularmente para uma faixa etária considerada fundamental para o futuro económico do país.

A proposta distingue-se, porém, por defender uma afectação específica e anual de receitas para um mecanismo direccionado exclusivamente aos jovens, combinando capital financeiro, formação profissional e acesso ao crédito.

A medida ainda depende, caso venha a ser formalmente apresentada e aprovada, de definição legislativa sobre a percentagem efectiva das receitas a canalizar, os critérios de elegibilidade, o modelo de gestão, os mecanismos de fiscalização e a sustentabilidade financeira do fundo.

Por enquanto, trata-se de uma proposta política apresentada pelo presidente da UNITA, que pretende transformar parte da riqueza gerada pelo petróleo, gás e minerais estratégicos em instrumentos de formação, financiamento e desenvolvimento económico para jovens entre os 18 e os 35 anos.

Tiago Figueira
Tiago Figueira

TIAGO FIGUEIRA Jornalista | Redactor de Sociedade e Política | Comentarista de Relações Internacionais. Com a Carteira 2027, desenvolve trabalho de produção e análise jornalística, procurando interpretar os acontecimentos nacionais e internacionais a partir do seu impacto na sociedade e no interesse público. Na área de Sociedade e Política, dedica-se à cobertura e produção de conteúdos sobre os principais fenómenos sociais, políticos e institucionais de Angola, privilegiando o rigor informativo, a contextualização e a clareza na abordagem dos factos.

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