Numa Nota Pública de Desvinculação, a que o Ponto de Situação teve acesso, os signatários justificam a decisão com “divergências profundas e insanáveis” entre a actual liderança e os princípios fundacionais de integridade, transparência e apartidarismo que estiveram na génese do movimento. Dirigida ao público, à imprensa, às comunidades e aos parceiros institucionais, a nota assinala aquele que poderá ser o momento mais delicado da história do FAZEMOS. Em linguagem firme, mas ponderada, os fundadores classificam a decisão como “reflectida e dolorosa” e sustentam, que o projecto se afastou da sua matriz ética e moral. “Entendemos que a defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania não é compatível com o desvio dos valores éticos originais”, refere o documento. Embora a nota não detalhe os factos que motivaram a ruptura, os seus autores apontam para alegadas violações dos princípios de apartidarismo e de serviço desinteressado à comunidade, deixando implícitas divergências quanto à orientação e à condução do movimento. Três efeitos imediatos da decisão Segundo o documento, a deliberação produz três consequências imediatas. A primeira é a cessação total da representação institucional. A partir desta data, Gildo das Ruas, Araci Moniz e Arante Kivuvu deixam de representar, falar, assinar ou responder em nome do FAZEMOS em qualquer espaço público ou institucional. A segunda consiste na salvaguarda do património moral e técnico construído pelos fundadores. Estes reivindicam o legado da acção cívica, técnica e social desenvolvida até ao momento, mas declinam qualquer responsabilidade pelos actos futuros da organização, atribuindo essa responsabilidade exclusivamente à actual direcção. A terceira estabelece a proibição do uso dos seus nomes e da sua imagem em futuras iniciativas, campanhas ou documentos promovidos pelo movimento. Na parte final da nota, os signatários agradecem aos cidadãos, activistas, juristas voluntários, zungueiras, famílias e parceiros que acompanharam o projecto e, reafirmam o seu compromisso com uma Angola mais justa, transparente e inclusiva permanece inalterado, ainda que por outras vias. Recorde-se que o Movimento Cívico FAZEMOS é liderado pelo activista Tanaice Neutro.
RICHA NO MOVIMENTO CÍVICO FAZEMOS: FUNDADORES ANUNCIAM RENÚNCIA e DESVINCULAÇÃO DEFINITIVA
Os membros fundadores do Movimento Cívico FAZEMOS, Gildo das Ruas (Hermenegildo André), Araci Moniz e Arante Kivuvu, anunciaram esta segunda-feira, 21, em Luanda, a sua desvinculação definitiva e a renúncia a qualquer cargo, função ou ligação à organização, com efeitos imediatos.
Tiago Figueira
Jornalista e colaborador da redação do portal Ponto de Situação.
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