Falar sobre a evolução da mulher é também falar sobre aquilo que acontece dentro dela. Emoções, pensamentos, crenças e experiências influenciam a forma como cada mulher se vê, toma decisões e enfrenta os desafios da vida. Foi a partir desta perspectiva que Luíza Nteca abordou o desenvolvimento cognitivo e emocional da mulher, destacando a importância de reconhecer e nomear aquilo que se sente.
Segundo a psicóloga, compreender as próprias emoções permite lidar com elas de forma mais positiva. Medo, tristeza e alegria fazem parte da experiência humana, mas é necessário identificar o que cada emoção representa e perceber em que momento pode começar a influenciar as decisões e o comportamento.
Ter medo não significa parar
Entre as emoções abordadas, o medo ganhou destaque. Para Luíza Nteca, uma mulher em processo de crescimento não é aquela que nunca sente medo, mas aquela que consegue reconhecer o medo sem permitir que ele determine o rumo da sua vida.
Sentir medo diante de um novo desafio, de uma mudança ou de uma decisão importante não significa incapacidade. A diferença está na forma como a mulher reage a esse sentimento. Reconhecer o medo, compreendê-lo e, ainda assim, avançar pode representar uma etapa importante no processo de crescimento pessoal.
A psicóloga defende que fortalecer a mente começa pela forma como a mulher se percebe. Conhecer-se, compreender os próprios pensamentos, questionar crenças e construir uma visão mais saudável sobre si mesma são passos fundamentais para enfrentar bloqueios e definir objectivos de vida.
Quando a mente aprende a limitar a própria mulher
As chamadas crenças limitantes também estiveram no centro da conversa. De acordo com Luíza Nteca, experiências negativas da infância, baixa auto-estima, comparação constante, sentimentos de culpa e a dificuldade de se permitir recomeçar podem interferir no desenvolvimento intelectual e emocional da mulher.
Muitas vezes, explicou, o problema não está na falta de capacidade, mas na forma como a mulher aprendeu a olhar para si. Uma pessoa que cresce a ouvir que não é capaz, que não terá sucesso ou que nasceu para fracassar pode acabar por transformar essas palavras numa verdade sobre a sua própria identidade.
“Não é que ela seja um fracasso”, explicou a psicóloga, ao destacar que a repetição de pensamentos negativos pode levar a mulher a acreditar numa imagem limitada de si mesma.
Neste processo, o ambiente também desempenha um papel importante. Conviver constantemente com pensamentos negativos, críticas e pessoas que desencorajam o crescimento pode dificultar a construção de uma percepção positiva sobre si própria.
Auto-estima também é poder de decisão
A auto-estima, segundo Luíza Nteca, está directamente ligada à capacidade de uma mulher tomar decisões e reconhecer os seus próprios limites e potencialidades.
Para a psicóloga, quando uma mulher não se conhece suficientemente, corre o risco de permitir que outras pessoas determinem o rumo da sua vida. Por isso, considera essencial desenvolver a consciência sobre aquilo que cada uma consegue ou não consegue fazer, sem transformar limitações momentâneas em definições permanentes da sua identidade.
Conhecer-se, neste sentido, significa também aprender a estabelecer limites, fazer escolhas conscientes e assumir responsabilidade pelo próprio caminho.
Ler para transformar a mente
A leitura foi igualmente apontada como uma ferramenta importante para o desenvolvimento pessoal. Luíza Nteca defendeu que investir no conhecimento é também investir na transformação da forma de pensar.
Para a psicóloga, uma mente transformada pode contribuir para a transformação da comunidade, porque as mudanças individuais têm impacto na forma como as pessoas se relacionam e enfrentam os desafios colectivos.
A mensagem deixada no “Um Ponto Com Elas” foi, assim, de encorajamento: a mulher em evolução não é aquela que vive sem medo, mas aquela que aprende a conhecer os seus medos, questiona as crenças que a limitam e decide continuar a caminhar mesmo quando o caminho parece difícil. Porque, antes de conquistar espaços, metas e sonhos, existe uma conquista que acontece primeiro: a de acreditar que se é capaz.
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