O presidente cessante do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Kalunga, despediu-se da liderança da organização com um apelo directo à nova direcção: colocar os interesses da juventude acima dos interesses individuais e transformar o CNJ num verdadeiro instrumento de serviço aos jovens angolanos.
Na abertura da VIII Assembleia Geral Ordinária de Balanço e Renovação de Mandatos, realizada na quarta-feira, 30 de Setembro, em Luanda, Isaías Kalunga passou o testemunho à nova liderança, que terá Gelson da Conceição Mateus “Bravo” como presidente para o mandato 2026-2031.
Num discurso marcado por reconhecimento, apelo à responsabilidade e alguma emoção, o líder cessante pediu perdão pelos erros e falhas cometidos durante o período em que esteve à frente da organização.
“Perdoem-me pelos erros, pelas falhas”, declarou Isaías Kalunga, numa intervenção que marcou o encerramento de um ciclo de liderança e a passagem da responsabilidade para uma nova equipa.
Mas foi no apelo ao espírito de serviço que centrou a sua mensagem à direcção recém-eleita.
“Mais do que nos servirmos, sirvam à juventude com este CNJ. Apoiem os jovens com este CNJ”, afirmou, defendendo que a organização deve deixar de ser vista apenas como uma estrutura de representação e assumir-se como uma plataforma capaz de produzir respostas concretas para os problemas da juventude.
Entre as prioridades apontadas pelo presidente cessante estão a atribuição de bolsas de estudo e a criação de mecanismos de apoio aos jovens na concretização dos seus projectos e aspirações.
“Deem bolsas de estudo e transformem o CNJ numa plataforma de realização dos sonhos dos jovens”, apelou.
A mensagem de Kalunga foi igualmente marcada por um alerta contra a vaidade e a busca de benefícios pessoais no exercício de funções de liderança. Para o presidente cessante, a nova direcção deverá preservar a essência do CNJ e colocar a organização ao serviço daqueles que representa.
O apelo surge no momento em que Gelson Bravo assume a condução do CNJ para os próximos cinco anos, com uma agenda que coloca entre as prioridades a formação técnico-profissional, a empregabilidade e o empreendedorismo juvenil, além do reforço da participação dos jovens na vida pública.
A passagem de testemunho representa, deste modo, mais do que uma simples mudança de liderança. Coloca sobre a nova direcção o desafio de responder às expectativas de uma juventude que procura oportunidades de formação, emprego, financiamento, empreendedorismo e maior participação nos processos de desenvolvimento do país.Na sua despedida, Isaías Kalunga afirmou deixar a liderança com o sentimento de missão cumprida. Para resumir o encerramento do seu ciclo à frente do CNJ, recorreu a uma passagem bíblica, transformando a despedida num testemunho pessoal sobre o percurso realizado:
“Combati o bom combate, terminei a carreira e guardei a fé.”
Com estas palavras, Kalunga encerrou o seu ciclo na liderança do CNJ e deixou à nova direcção não apenas uma organização para conduzir, mas uma responsabilidade: fazer do Conselho Nacional da Juventude um espaço onde os jovens encontrem representação, oportunidades e instrumentos concretos para transformar projectos e sonhos em realidade.
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