A crise financeira das Nações Unidas tem provocado cortes de pessoal e a redução de operações humanitárias em diferentes países. De acordo com os dados citados pelo portal brasileiro g1, o número de postos de trabalho no sistema da ONU passou de 130.948, em 2024, para 120.176, em 2025, representando uma redução de 8%. Para 2026, a organização aprovou a extinção de mais 2.900 cargos.
Entre as agências mais afectadas está o ACNUR, que, perante a redução dos financiamentos, cortou cerca de um terço da sua força de trabalho, encerrou escritórios e suspendeu operações em vários países. A agência alertou que 8,3 milhões de pessoas poderão deixar de receber assistência vital, incluindo serviços de protecção, alimentação e apoio a crianças refugiadas.
A situação ameaça programas humanitários e serviços de apoio a refugiados, incluindo no Brasil, onde o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) recebeu apenas 22% dos fundos necessários para este ano.
No Brasil, a escassez de recursos preocupa as organizações humanitárias, sobretudo porque até 500 pessoas chegam diariamente ao país através de Roraima para solicitar protecção internacional.
Segundo o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, até ao final de Agosto a agência tinha recebido apenas 22% do financiamento necessário para assegurar as suas actividades em 2026. A falta de verbas já limita o atendimento a refugiados, deixando algumas famílias em risco de perder o acesso a abrigo, alimentação e outros bens essenciais.
A situação é agravada pela redução das contribuições voluntárias dos Estados Unidos e pelos atrasos no pagamento das quotas obrigatórias à ONU. De acordo com a publicação, Washington chegou a dever 1,3 mil milhões de dólares em contribuições regulares, além dos valores destinados às missões de paz.
Embora tenha efectuado pagamentos recentes, o Governo norte-americano condiciona novos repasses à implementação de reformas e à garantia de que os fundos não sejam utilizados por entidades consideradas contrárias à sua política externa.
O especialista em Relações Internacionais Uriã Fancelli considera que a estratégia norte-americana constitui uma forma de pressão sobre a organização, visando reduzir a sua estrutura e limitar a sua actuação. Para o analista, a posição da administração de Donald Trump também reflecte uma visão crítica do multilateralismo e uma preferência por mecanismos de negociação directa entre países.
Apesar das dificuldades, a ONU continua a desenvolver iniciativas de assistência e desenvolvimento em diferentes regiões. Contudo, a redução dos financiamentos coloca em risco a continuidade de programas destinados às populações mais vulneráveis, reforçando os receios de que milhões de pessoas possam ficar sem apoio humanitário num momento de crescentes necessidades.



































