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PONTO EDITORIAL Publicado em 07/11/2026 às 15:13 8 visualizações

CONFLITOS NO PARTIDO DOS “IRMÃOS” PODEM DITAR O DESAPARECIMENTO DA FNLA

Há vários anos que acompanhamos a trajectória da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), um dos partidos históricos do país, que continua a revelar dificuldades em ultrapassar os seus conflitos internos, deixando uma imagem pouco abonatória para a sociedade angolana.

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CONFLITOS NO PARTIDO DOS “IRMÃOS” PODEM DITAR O DESAPARECIMENTO DA FNLA
Imagem: O País

A falta de unidade entre os irmãos deve preocupar não apenas os militantes, mas também a sociedade em geral. Entra e sai presidente, mas os problemas persistem. Começa e termina um ano, e a situação mantém-se praticamente inalterada. Realizam-se eleições internas, mas as divergências e as disputas pelo poder continuam a marcar a vida da organização.

Quando esteve à frente do partido, Ngola Kabangu (2007 a 2011) prometeu reconstruir a FNLA, transformando-a numa verdadeira alternativa política para a conquista do poder. A  sua liderança terminou num contexto de conflitos internos. Seguiu-se Lucas Ngonda (2011 a 2021), cuja passagem pela presidência também ficou marcada por divergências e disputas internas.

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Quando se pensava que o cenário poderia ser diferente com a chegada do mais-velho Nimi Ya Símbi, a tão aguardada renovação não se tornou evidente. As maka continuam. Até os processos eleitorais internos parecem incapazes de decorrer sem a formação de alas e o aprofundamento de divisões que pouco contribuem para a unidade dos irmãos.

Por vezes, custa até aos ouvidos continuar a ouvir que os mesmos problemas persistem. É triste!

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Se, nas próximas eleições gerais, a FNLA não conseguir concorrer em coligação com outras forças políticas, temos sérias dúvidas de que consiga manter a sua actual representação parlamentar. A conquista de um único deputado, concorrendo isoladamente, poderá revelar-se uma tarefa extremamente difícil. Um resultado diferente exigirá um trabalho político que, até ao momento, não se tem mostrado suficientemente visível.

Dói observar um partido histórico cair nesta situação. Dói ver uma organização política que se apresenta como o partido dos irmãos continuar mergulhada em desentendimentos. Dói constatar que uma força política com a dimensão histórica da FNLA, cujos quadros mais antigos deveriam transmitir experiência e maturidade às novas gerações, continua sem conseguir ultrapassar obstáculos que comprometem o seu futuro.

Que futuro se espera desta força política fundada por Holden Roberto? Que legado tem deixado às novas gerações? O que pretendem os seus dirigentes históricos? Onde estão os jovens da FNLA? São perguntas que merecem respostas claras.

Enquanto não houver um verdadeiro diálogo entre os dirigentes, os militantes históricos e as diferentes sensibilidades internas, a FNLA corre o risco de se transformar numa organização política lembrada sobretudo pelo seu passado, mas sem capacidade de afirmar o seu presente e construir o futuro.

Não se podem continuar a vender sonhos irrealizáveis. Quem acompanha a realidade política do país percebe que, nas actuais circunstâncias, a FNLA dificilmente conseguirá disputar o poder em condições competitivas. Afinal, se os seus dirigentes não conseguem ultrapassar as divergências dentro da própria organização, que garantias oferecem de capacidade para conduzir os destinos de um país tão complexo como Angola?

Quem percorre diferentes pontos do território nacional dificilmente consegue identificar uma presença política expressiva da FNLA. São pouco visíveis as suas estruturas de base e escassas as manifestações públicas de mobilização juvenil em nome desta força política.

Temos observado outros partidos, incluindo formações políticas mais recentes, a desenvolverem actividades e a consolidarem a sua presença em diferentes províncias. Da FNLA, porém, pouco se ouve falar. Fica a impressão de que a sua presença poderá tornar-se mais evidente apenas durante o período eleitoral. E política não se faz apenas de quatro em quatro anos!

Para alcançar resultados satisfatórios nas próximas eleições gerais, o trabalho de casa deve começar desde já. A mobilização, a reorganização das estruturas, a formação de quadros e a aproximação às comunidades exigem tempo, estratégia e compromisso.

Ainda há tempo para salvar a FNLA de um progressivo desaparecimento político. Que tal convocar uma grande mesa de diálogo, com a participação de antigos dirigentes, líderes religiosos e outras figuras respeitadas da sociedade, capazes de facilitar a aproximação entre as diferentes sensibilidades do partido?

A FNLA precisa de mais diálogo e menos disputas, mais unidade e menos protagonismo individual. Precisa de dirigentes capazes de colocar os interesses colectivos acima das ambições pessoais.

Caso contrário, Angola poderá assistir ao enfraquecimento de mais um dos seus partidos históricos. E, se nada mudar, da memória dos três grandes protagonistas da luta de libertação nacional com expressão partidária na política angolana, a FNLA poderá passar a ser recordada mais pela história que escreveu do que pelo papel que desempenha na construção do futuro do país.

 

Leal Mundunde
Leal Mundunde

Leal Mundunde é jornalista e exerce actualmente as funções de Director-Geral e Editor do Portal Ponto de Situação. Integra o órgão desde 2024, tendo anteriormente desempenhado as funções de Chefe de Redacção. Ao longo do seu percurso profissional, passou por diversos órgãos de comunicação social.

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