No editorial desta semana, o nosso olhar recai sobre o futebol africano, com particular atenção aos resultados das equipas angolanas e às suas perspectivas de qualificação para a fase de grupos.
A jogar em casa, o Wiliete de Benguela, que reforçou o plantel com o objectivo de chegar o mais longe possível nas competições africanas, recebeu o Mamelodi Sundowns, campeão africano, com quem empatou sem golos (0-0).
Com este resultado, a eliminatória permanece em aberto. A equipa benguelense terá agora de medir forças com o adversário na África do Sul, onde encontrará maiores dificuldades para alcançar o objectivo. Ainda assim, acreditamos que o Wiliete pode surpreender e conquistar a vitória necessária para garantir a passagem à fase de grupos.
Já o Kabuscorp do Palanca enfrenta um cenário mais complicado.
A formação angolana perdeu em casa diante do AS Maniema Union por 1-4, ficando obrigada a realizar uma exibição de grande nível na segunda mão para alimentar as esperanças de qualificação.
Perante este resultado, a equipa de Bento Kangamba terá de redobrar os esforços, melhorar a eficácia ofensiva e aproveitar as oportunidades que surgirem. Caso contrário, poderá despedir-se prematuramente da competição. Apesar do desaire, o presidente do clube manifestou confiança nos reforços que estarão disponíveis para o próximo encontro.
"Na próxima eliminatória, diante do Maniema, os demais reforços já poderão jogar. Contra o Maniema vamos utilizar quase seis no assador, incluindo três jogadores que saíram de lá", prometeu Bento Kangamba.
Como se costuma dizer, no futebol tudo é possível, resta saber se, nos próximos 90 minutos, o Kabuscorp conseguirá transformar as palavras em resultados e contrariar o cenário desfavorável.
Por sua vez, o Petro de Luanda perdeu por 2-0, fora de portas, diante do Scotland, num encontro marcado pela expulsão de Hugo Marques aos 30 segundos de jogo, deixando os petrolíferos reduzidos a dez unidades durante praticamente toda a partida.
A equipa angolana enfrentou dificuldades para contrariar o adversário, numa partida em que as decisões da equipa de arbitragem também suscitaram reclamações.
Com este resultado, a decisão fica adiada para Luanda, onde o Petro terá de vencer por uma diferença de três golos, caso pretenda garantir a qualificação sem necessidade de uma decisão por grandes penalidades, dependendo do regulamento aplicável à eliminatória.
A tarefa não se afigura fácil, sobretudo tendo em conta as exibições recentes da equipa, que parecem distantes da qualidade demonstrada em épocas anteriores.
Face ao investimento realizado e às expectativas criadas em torno do clube, uma eventual eliminação poderá ser encarada como um fracasso e aumentar a pressão sobre a equipa técnica.
No futebol, porém, é no campo que se dão as respostas definitivas.
Quem regressou a casa com motivos para celebrar foi o 1.º de Agosto, que venceu o DC Virunga por 2-1, fora de portas.
O resultado coloca os militares numa posição favorável e reforça as suas possibilidades de alcançar a fase de grupos. Pelo desempenho demonstrado na primeira mão, acreditamos que a formação militar tem condições para voltar a vencer em Luanda e confirmar a qualificação perante os seus adeptos.
O que verdadeiramente almejamos é ver várias equipas angolanas na fase de grupos das Afrotaças. Mais do que o prestígio individual de cada clube, uma presença expressiva de representantes nacionais contribuirá para reforçar a imagem do futebol angolano no panorama continental.
Por isso, o nosso apelo dirige-se às direcções dos clubes: que sejam asseguradas todas as condições necessárias para a preparação dos jogos da segunda mão. Aos treinadores e jogadores, pedimos concentração, disciplina táctica, entrega e determinação. Aos adeptos, apelamos ao apoio e à confiança nas respectivas equipas. Afinal, quando os clubes angolanos entram em campo nas competições africanas, não está em jogo apenas o resultado de uma partida, está também em causa o prestígio do futebol nacional.
Até lá, continuaremos a acompanhar o percurso das nossas equipas, com a esperança de testemunhar mais conquistas e de ver Angola representada, com dignidade, na fase de grupos das Afrotaças, porque, no futebol, a esperança mantém-se viva até ao último apito.
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