No seu balanço crítico dos nove anos de governação do Presidente da República, João Lourenço, Adalberto da Costa Júnior questionou se hoje os angolanos vivem melhor do que em 2017, ano em que o actual Chefe de Estado assumiu o poder.
No seu discurso sobre o Estado da Nação, o líder do maior partido na oposição apresentou ainda a proposta de um Pacto Produtivo Nacional para o período 2027-2037, com foco na criação de empregos, no aumento da produção interna e na diversificação da economia.
Na abertura da sua intervenção, Adalberto Costa Júnior contou cinco histórias que, segundo afirmou, representam não casos isolados, mas cinco províncias, cinco problemas estruturais e cinco rostos de uma governação que, na sua perspectiva, não conseguiu responder às necessidades dos cidadãos. O político descreveu o discurso como uma contribuição para o debate público, defendendo a necessidade de fiscalizar a governação, apresentar alternativas e colocar a vida dos angolanos no centro das prioridades nacionais.
Para o presidente da UNITA, o estado da nação não deve ser avaliado apenas pelo número de obras inauguradas, pelos investimentos anunciados ou pelas taxas de crescimento económico divulgadas.
Na sua visão, a avaliação deve considerar a capacidade das famílias de encontrar emprego digno, garantir a alimentação, assegurar a educação dos filhos e ter acesso a hospitais, água potável, energia eléctrica, segurança e justiça em condições de igualdade.
Ao analisar o período iniciado em Setembro de 2017, Adalberto da Costa Júnior recordou as promessas de combate à corrupção, diversificação económica, criação de empregos e redução da pobreza feitas por João Lourenço no início do mandato, que segundo o dirigente, apesar dos planos de desenvolvimento, dos decretos e das receitas petrolíferas arrecadadas ao longo dos últimos nove anos, persistem problemas que colocam em causa os resultados alcançados pelo Executivo.

Imagem: DR Ponto de Situação
O líder da UNITA afirmou que pretende sustentar a sua avaliação com dados do Instituto Nacional de Estatística, do Ministério das Finanças, do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e das Nações Unidas, comparando os resultados com as metas estabelecidas pelo próprio Governo nos seus planos e orçamentos. Destacou igualmente a importância do Censo Geral da População e Habitação de 2024, que considera uma base fundamental para compreender a realidade demográfica e as necessidades da população.
Apesar das críticas, Adalberto Costa Júnior afirmou que não pretende desvalorizar todas as decisões tomadas pelo Executivo, reconhecendo que houve reformas e medidas que considera necessárias. Sublinhou, contudo, que a sua intervenção não se dirige contra pessoas, mas contra um modelo de governação que, na sua avaliação, não conseguiu alterar suficientemente a estrutura da economia nem melhorar as condições de vida da maioria dos cidadãos.
Como alternativa, a UNITA propõe um Pacto Produtivo Nacional para 2027-2037, orientado para a construção de uma economia capaz de gerar emprego, reforçar a produção nacional, garantir maior segurança alimentar e aumentar as exportações para além do petróleo. A proposta prevê uma visão de desenvolvimento que abranja as 21 províncias do país, procurando reduzir as desigualdades territoriais e as assimetrias entre a capital, o litoral e as restantes regiões.
Adalberto Costa Júnior declarou ainda que a mensagem do partido não se limita aos seus apoiantes, dirigindo-se também aos cidadãos que votam noutras forças políticas, aos que perderam a confiança na política e aos que continuam à espera de melhores condições de vida. Para o dirigente, o desafio central consiste em transformar a independência nacional em dignidade, liberdade e prosperidade para todos os angolanos.



































