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ECONOMIA Publicado em 16/10/2026 às 12:42 19 visualizações

LÍDER DO GALO NEGRO ALERTA QUE CRESCIMENTO ECONÓMICO NÃO CHEGA AO BOLSO DAS FAMÍLIAS ANGOLANAS

O líder do maior partido na oposição Adalberto da Costa Júnior questionou o impacto do crescimento do PIB no emprego e no poder de compra, criticou a falta de dados actualizados sobre a pobreza e defendeu medidas para aliviar o custo de vida.

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LÍDER DO GALO NEGRO ALERTA QUE CRESCIMENTO ECONÓMICO NÃO CHEGA AO BOLSO DAS FAMÍLIAS ANGOLANAS
Imagem: Notícias ao Minuto

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, considera que o crescimento da economia angolana ainda não se traduz suficientemente em melhores condições de vida para a maioria da população.

No seu discurso sobre o Estado da Nação, apresentado, o líder da oposição questionou o impacto dos indicadores económicos nos rendimentos das famílias, apontando a inflação, a desvalorização do kwanza, o desemprego e a insuficiência dos apoios sociais como factores que continuam a pressionar o quotidiano dos cidadãos.

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Ao analisar os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Adalberto Costa Júnior reconheceu o crescimento de 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 e de 7% no primeiro semestre, com o sector não petrolífero a registar uma expansão de 9,2%. Contudo, defendeu que os resultados devem ser avaliados também pela capacidade de gerar empregos, aumentar os salários, estimular a produção nacional e reforçar o poder de compra das famílias.

O dirigente chamou a atenção para a redução do peso das remunerações dos trabalhadores no rendimento nacional, de 26,5%, em 2015, para 19,5%, em 2024. Na sua perspectiva, esta evolução merece uma investigação rigorosa para perceber até que ponto os benefícios do crescimento económico estão a chegar aos trabalhadores ou a concentrar-se nos lucros das empresas e noutros rendimentos.

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Preços continuam a pressionar as famílias

Sobre a inflação, o presidente da UNITA reconheceu a desaceleração da taxa homóloga para 8,43% em Setembro, segundo os dados citados no discurso, depois de ter ultrapassado os 14% no início do ano. Alertou, entretanto, que a redução da inflação não significa que os preços tenham baixado, mas apenas que continuam a subir a um ritmo mais lento.

Segundo os números apresentados, o nível geral de preços aumentou cerca de 28% em dois anos, enquanto os alimentos continuam a pesar significativamente no orçamento doméstico. Adalberto da Costa Júnior destacou ainda a desvalorização do kwanza face ao dólar norte-americano, afirmando que a moeda nacional perdeu mais de 80% do seu valor desde 2017, apesar da relativa estabilidade cambial registada desde Outubro de 2024.

Na área do emprego, o líder da UNITA citou a taxa de desemprego de 21,5% no segundo trimestre de 2026 e alertou para o peso da informalidade, que, segundo afirmou, abrange mais de oito em cada dez trabalhadores. Questionou também a comparabilidade dos indicadores depois das alterações metodológicas introduzidas pelo INE, defendendo a publicação de uma série estatística revista que permita acompanhar a evolução do mercado de trabalho de forma rigorosa.

Adalberto Costa Júnior exigiu igualmente maior transparência sobre o número de empregos líquidos criados, a proporção de postos de trabalho formais, os salários praticados e a quantidade de jovens que conseguem passar da formação académica ou profissional para o primeiro emprego.

UNITA critica falta de dados actualizados sobre a pobreza

Outro ponto levantado no discurso foi a ausência de uma medição recente da pobreza com base nos dados nacionais citados pelo dirigente. Adalberto da Costa Júnior recordou que a última medição do INE referida na intervenção tem como referência o período de 2018-2019, com uma taxa de pobreza de 40,6%, e considerou insuficiente a informação disponível para avaliar os resultados das políticas públicas dos últimos anos.

Como resposta, propôs a criação de um observatório nacional do custo de vida, independente e tecnicamente qualificado, para acompanhar mensalmente os preços dos bens essenciais, como alimentos, transportes, medicamentos e habitação. Defendeu ainda que as grandes decisões económicas com impacto directo no custo de vida sejam precedidas de uma avaliação pública das suas consequências sociais.

Fim dos subsídios aos combustíveis sob críticas

A retirada dos subsídios aos combustíveis também mereceu destaque. O presidente da UNITA reconheceu que a reforma pode ter uma justificação económica, por considerar que os subsídios universais beneficiam desproporcionalmente os cidadãos com maior capacidade financeira.

No entanto, criticou a forma como a medida foi implementada, alegando que não foi acompanhada de protecção social proporcional, investimento prévio suficiente nos transportes públicos e diálogo adequado com taxistas e famílias.

O dirigente referiu que apenas 16,3% dos agregados familiares recebem algum tipo de apoio social, segundo os dados que citou do Censo, e mencionou o programa Kwenda, que chegou a mais de 1,4 milhões de famílias, com transferências mensais de 11 mil kwanzas desde Maio de 2025.

Na sua avaliação, a retirada dos subsídios sem mecanismos de compensação abrangentes transferiu uma parte significativa dos custos da reforma para a população. Adalberto recordou ainda a paralisação dos taxistas e os protestos de Julho de 2025, desencadeados pela subida do preço do gasóleo, que, segundo os números apresentados no discurso, terminaram com dezenas de mortos e mais de mil detidos.

O líder da UNITA classificou as mortes ocorridas durante os protestos como uma falha do Estado e defendeu que as reformas económicas devem ser acompanhadas de medidas de protecção social e de mecanismos que reduzam o impacto sobre as famílias mais vulneráveis.

Ao colocar o custo de vida no centro do debate, Adalberto da Costa Júnior sustentou que o desempenho económico de Angola deve ser medido não apenas pelos indicadores macroeconómicos, mas também pela capacidade de os cidadãos comprarem alimentos, pagarem os transportes e garantirem condições dignas de vida para as suas famílias.

 

Redacção
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