João Lourenço, considerou ainda urgente uma reforma da arquitectura financeira internacional para responder aos desafios que travam o desenvolvimento do continente.
No discurso, o Chefe de Estado disse que África não pode continuar afastada das decisões estratégicas que definem o futuro do mundo. O Presidente defendeu uma participação efectiva dos países africanos nos debates e mecanismos internacionais.
Na sua intervenção, o líder angolano sublinhou ainda que paz e o desenvolvimento são indissociáveis, defendendo a adopção de estratégias capazes de acelerar a implementação da Agenda 2030.
João Lourenço apontou o Pacto para o Futuro e o Compromisso de Sevilha como instrumentos que podem contribuir para impulsionar os programas de desenvolvimento em África, desde que sejam acompanhados de mecanismos concretos de financiamento.
O Presidente angolano chamou particular atenção para o peso da dívida sobre as economias africanas. Segundo espelhou, os países do continente destinam recursos elevados ao serviço da dívida, reduzindo a capacidade de investimento em sectores essenciais como saúde, educação e construção de infra-estruturas. Na sua perspectiva, esta realidade limita o investimento produtivo, aprofunda desigualdades e aumenta as assimetrias económicas e sociais.
Perante este cenário, João Lourenço renovou o apelo à reforma imediata da arquitectura financeira internacional, defendendo um sistema mais justo, equitativo e democrático, orientado para o progresso e o bem-estar das populações.
Entre as medidas apontadas estão o acesso a financiamento em condições mais favoráveis, o alívio da dívida, a transferência de tecnologias, a capacitação e uma maior participação dos países africanos nas instituições financeiras internacionais.
As alterações climáticas foram igualmente colocadas entre os grandes obstáculos ao desenvolvimento africano. Secas prolongadas, inundações, desertificação, insegurança alimentar e deslocações populacionais continuam a pressionar vários países do continente. Por isso, o Presidente defendeu um financiamento climático previsível, acessível e adicional, sem criar uma nova carga de dívida para os países em desenvolvimento.
João Lourenço destacou ainda o potencial da Inteligência Artificial como uma oportunidade para acelerar a transformação económica e social, defendendo a utilização responsável destas ferramentas para melhorar a educação, a saúde, a agricultura, os serviços públicos, a investigação científica e a produtividade.
Para Angola, segundo o Presidente, o desafio passa por garantir que a revolução tecnológica não aprofunde as desigualdades, mas se transforme numa ferramenta concreta de desenvolvimento para África.



































