A Mpox, anteriormente conhecida como vmpox-acelera-em-angola-e-chega-a-luanda-com-578-casos-confirmadosaríola dos macacos, está a ganhar uma dimensão cada vez mais preocupante em Angola. O mais recente balanço divulgado pelas autoridades aponta para 578 casos positivos acumulados desde o início do surto, em 2024, além de duas mortes associadas à doença.
O cenário revela uma evolução rápida da transmissão. Até 10 de Setembro, o Ministério da Saúde contabilizava oficialmente 442 casos confirmados em 11 das 21 províncias, com 314 ocorrências em Cabinda e 19 no Moxico Leste. Cinco dias depois, a coordenadora do Programa Nacional de Vigilância Epidemiológica, Regina António, apresentou um novo balanço, elevando o total para 578 casos.
A diferença entre os dois balanços mostra a velocidade com que novos casos têm sido identificados e reforça a necessidade de acompanhamento permanente da situação epidemiológica.
CABINDA CONTINUA NO CENTRO DO SURTO
Cabinda permanece como a província mais afectada. Segundo os dados mais recentes divulgados pela Rádio Nacional de Angola, a província concentra 354 dos 578 casos positivos registados no país.
A situação levou as autoridades provinciais a adoptar medidas específicas de resposta, incluindo uma campanha de vacinação iniciada no princípio de Setembro. Foram disponibilizadas 30 mil doses de vacina, com 25 equipas e 174 profissionais de saúde mobilizados para a campanha.
A concentração de casos em Cabinda coloca a província no centro das estratégias nacionais de controlo da doença, sobretudo pela necessidade de interromper cadeias de transmissão e proteger as populações mais expostas.
LUANDA ENTRA NO MAPA DA TRANSMISSÃO
A entrada de Luanda entre as províncias com casos confirmados acrescenta uma nova preocupação às autoridades sanitárias. A capital já contabiliza 13 casos positivos, segundo os dados divulgados a 15 de Setembro.
A dimensão populacional e a elevada mobilidade de pessoas na capital tornam particularmente importante a identificação precoce dos casos e o acompanhamento dos contactos.
A coordenadora do Programa Nacional de Vigilância Epidemiológica chamou ainda a atenção para um dos principais obstáculos ao controlo da doença: a demora de alguns cidadãos em procurar assistência médica quando surgem sintomas suspeitos.
Esta realidade pode dificultar a identificação precoce das cadeias de transmissão e aumentar o risco de contacto entre pessoas infectadas e a comunidade.
BENGO REGISTA NOVOS CASOS
A expansão territorial da Mpox também exige atenção noutras províncias. O aparecimento de novos casos deve ser acompanhado pelas estruturas locais de saúde, sobretudo quando existe ligação epidemiológica entre os pacientes.
No caso do Bengo, foram anunciados três novos casos associados a membros da mesma família, no município do Panguila, situação que reforça a importância da vigilância dentro dos agregados familiares e entre pessoas que mantêm contacto próximo.
A transmissão da Mpox ocorre principalmente através de contacto próximo com uma pessoa infectada, incluindo contacto directo com lesões da pele, secreções ou materiais contaminados. O risco também aumenta em situações de contacto físico intenso, incluindo relações sexuais.
UMA DOENÇA QUE EXIGE ATENÇÃO, NÃO ESTIGMA
A Mpox pode provocar febre, dores de cabeça, dores musculares e articulares, aumento dos gânglios linfáticos e lesões na pele ou nas mucosas. O período entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas pode variar entre cinco e 21 dias.
Embora muitos casos evoluam favoravelmente, a existência de mortes associadas à doença demonstra que o vírus não deve ser encarado com ligeireza.
Ao mesmo tempo, a resposta à Mpox exige informação responsável. O medo, a discriminação e a circulação de informações falsas podem afastar pessoas dos serviços de saúde e dificultar o trabalho das autoridades.
Por isso, a prevenção passa não apenas pelas medidas sanitárias, mas também pela capacidade de informar correctamente a população.
As autoridades sanitárias recomendam evitar o contacto próximo com pessoas que apresentem sintomas ou lesões suspeitas, não partilhar roupas, toalhas e outros objectos de uso pessoal e reforçar a higiene das mãos com água e sabão ou solução desinfectante.
Perante sintomas compatíveis com Mpox, a orientação é procurar assistência médica e evitar contactos próximos com outras pessoas até receber avaliação profissional.



































