Actualmente, em muitos pontos da cidade, essas estruturas já existem, mas um número significativo de cidadãos simplesmente ignora esses meios de segurança.
A justificação é quase sempre a mesma: “é muito trabalho subir e descer a pedonal” ou “a passadeira fica um pouco distante”.
Quando analisamos a situação com atenção, muitas vezes trata-se de uma distância que não levaria sequer dois minutos a percorrer. Ainda assim, muitos preferem desafiar o perigo.
Esta atitude revela algo preocupante: a falta de consciência sobre o valor da própria vida e da vida dos outros.
Quando alguém decide atravessar uma via movimentada fora do local apropriado, não coloca apenas a sua vida em risco. Coloca também em perigo os automobilistas e os passageiros. Um motorista pode ser surpreendido por um peão imprudente e, em poucos segundos, uma tragédia pode acontecer.
Depois do acidente, surge a frase comum: “foi azar”. Mas será realmente azar? Ou será consequência de uma escolha imprudente que poderia ter sido evitada?
Na manhã desta segunda-feira, 16 de Março, voltei a observar esta realidade na zona da Vila da Gamek. O cenário foi, mais uma vez, preocupante: dezenas de pessoas atravessavam a estrada fora da pedonal, mesmo estando, a poucos metros.
Alguns cidadãos chegavam ao ponto de saltar o separador da estrada para atravessar depois da pedonal. Outros preferiam correr entre os carros em movimento.
E não se trata apenas de jovens. Entre os imprudentes estão também adultos, inclusive mães com crianças às costas e pais que atravessam com os filhos nos braços ou pela mão. O que deveria ser um exemplo de responsabilidade acaba por transformar-se numa demonstração de risco.
Que exemplo estamos a dar às novas gerações?

Se as crianças crescem a ver os adultos desrespeitarem regras básicas de segurança, é natural que repitam o mesmo comportamento no futuro.
Outro problema grave surge quando acontece um atropelamento. Muitas vezes, sem se investigarem devidamente as circunstâncias, o motorista é imediatamente responsabilizado. Em alguns casos, a reacção popular chega ao extremo: o condutor é agredido, a viatura é vandalizada e os bens são saqueados. Tudo isso antes mesmo de se apurar quem realmente teve culpa.
Isso levanta uma questão importante: até quando vamos ignorar a responsabilidade individual?
Se num determinado local não existem passadeiras ou pedonais, é compreensível que a população procure atravessar onde for possível, mas quando existem estruturas seguras e, mesmo assim, são ignoradas, já não se trata de falta de condições, trata-se de falta de educação cívica.
É aqui que entra um elemento fundamental: educação.
A educação para a cidadania e para o respeito pelas normas deve começar desde cedo: em casa, nas escolas e na sociedade em geral. As pessoas precisam compreender que as regras existem para proteger vidas.
Quem está com pressa deve sair mais cedo de casa. A pressa não pode servir de justificação para atitudes que colocam vidas em risco.
É lamentável constatar que muitas pessoas só respeitam as regras quando existe punição. Uma sociedade equilibrada não se constrói apenas com multas ou castigos, mas sobretudo com consciência, responsabilidade e respeito pelo próximo.
Precisamos reflectir sobre que tipo de sociedade queremos construir.
Se cada cidadão fizer a sua parte, respeitando as normas e escolhendo o caminho seguro, estaremos a contribuir para uma cidade mais organizada e, acima de tudo, mais segura para todos.
Não faça o correcto apenas porque alguém está a observar.
Não faça o correcto apenas para receber elogios.
Faça o correcto porque é o melhor para si e para os outros.
Somente assim construiremos uma sociedade melhor.
Juntos, escolhamos sempre o caminho seguro.
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