Segundo o Vaticano, o pontífice agradeceu aos sobreviventes pelos testemunhos sobre as experiências vividas e garantiu que o sofrimento provocado pelos abusos não deve voltar a repetir-se com outras pessoas.
A questão dos abusos sexuais continua a representar um dos principais desafios para a Igreja Católica em França. Um relatório divulgado em 2021 apontou que cerca de 330 mil crianças terão sido vítimas de abusos cometidos por membros do clero e líderes leigos católicos ao longo de sete décadas.
Durante uma reunião anterior com bispos franceses, Leão XIV referiu-se aos abusos contra menores como um “flagelo doloroso” e reconheceu as medidas adoptadas para enfrentar os escândalos. O Papa apelou igualmente ao reforço das acções de protecção e à manutenção de uma vigilância permanente.
Apesar do encontro com o pontífice, alguns sobreviventes manifestaram cepticismo quanto à rapidez das mudanças. Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de uma associação de sobreviventes no oeste de França, afirmou que considera o processo lento e que os resultados não deverão surgir de forma imediata.
A passagem por Lourdes ocorre também num contexto marcado pelas acusações contra o padre Marko Rupnik, artista religioso ligado ao Vaticano e acusado de abuso sexual por mais de 20 mulheres. Os mosaicos da sua autoria, instalados na fachada do santuário, foram cobertos com grandes lonas amarelas durante a visita papal.
Na mesma deslocação, Leão XIV voltou a defender a posição da Igreja Católica contra a morte assistida, afirmando que a acolhida de peregrinos doentes em Lourdes representa uma defesa da vida perante as tendências que, segundo o pontífice, procuram redefinir o seu valor em situações de doença.



































