Perante os líderes dos 193 Estados-membros, Lula colocou a crise da paz e da segurança internacional no centro da sua intervenção e defendeu o reforço do multilateralismo como instrumento para a resolução dos conflitos.
Para o Presidente brasileiro, “a guerra é a falência da política”, numa crítica à incapacidade da diplomacia internacional de impedir que disputas políticas se transformem em confrontos armados.
Lula questionou igualmente a capacidade da ONU de cumprir a missão para a qual foi criada, sobretudo na prevenção das guerras e na protecção das populações mais vulneráveis.
Na sua leitura, a organização atravessa uma crise de credibilidade e de liderança, enquanto as grandes potências continuam a concentrar poder dentro de uma estrutura que, segundo o Presidente brasileiro, já não corresponde plenamente à realidade do mundo actual.
O Presidente brasileiro também chamou atenção para o aumento dos conflitos armados e voltou a defender uma reforma profunda da governação internacional, incluindo do Conselho de Segurança. A própria ONU reconhece que o actual sistema enfrenta fortes divisões geopolíticas e defende mudanças para tornar o Conselho mais representativo, incluindo uma maior presença africana.
Num dos momentos de maior afirmação da soberania brasileira, Lula declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, numa mensagem dirigida contra aquilo que apresentou como tentativas de ingerência externa. O discurso reforçou, assim, a defesa brasileira de uma ordem internacional baseada no diálogo, na soberania dos Estados e na cooperação entre as nações.



































