O encontro que será realizado a 22 de Outubro, às 9h30, na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP), propõe um debate sobre a forma como a história africana tem sido investigada, interpretada e divulgada, colocando em evidência a importância de recuperar as civilizações, os sistemas políticos, as realizações culturais e os centros de conhecimento que marcaram o percurso dos povos africanos muito antes da colonização europeia.
Publicado originalmente em inglês, em 2024, sob o título ‘An African History of Africa’, o livro procura apresentar uma leitura abrangente do passado do continente a partir das suas próprias fontes históricas, testemunhos, tradições e contributos científicos.
A iniciativa da Fundação Bornito de Sousa pretende, deste modo, aproximar o público angolano de uma reflexão que ultrapassa o domínio académico, relacionando o conhecimento do passado com a construção da identidade colectiva, a valorização do património cultural e a compreensão dos desafios contemporâneos de África.
Jornalista com percurso internacional
Nascida no Sudão, em 1959, Zeinab Badawi mudou-se ainda criança para o Reino Unido, onde construiu uma carreira de destaque no jornalismo televisivo internacional.
Formada em Filosofia, Política e Economia pela Universidade de Oxford, realizou posteriormente estudos de pós-graduação na SOAS, Universidade de Londres, instituição reconhecida pela investigação sobre África, Ásia e Médio Oriente.
Ao longo da sua carreira, trabalhou na BBC, onde conduziu entrevistas e debates sobre política, relações internacionais e questões globais, destacando-se em programas como HARDtalk e Global Questions.
A sua ligação ao estudo e à divulgação da história africana ganhou particular expressão através da série documental The History of Africa with Zeinab Badawi, projecto que contribuiu para dar visibilidade às civilizações, aos reinos e às sociedades que marcaram diferentes períodos da história do continente.
Mais de 30 países na investigação histórica
Para desenvolver o trabalho que deu origem ao livro, Zeinab Badawi percorreu mais de 30 países africanos, contactando investigadores, historiadores e representantes de comunidades locais, numa investigação orientada para a compreensão das múltiplas experiências históricas do continente.
Entre as referências desta abordagem encontra-se a História Geral de África, projecto lançado pela UNESCO em 1964, com a participação de especialistas africanos e internacionais, destinado a produzir uma interpretação abrangente da história do continente.
Na obra, a autora aborda antigas civilizações, impérios comerciais, centros de produção intelectual e estruturas políticas africanas, procurando contrariar narrativas que tendem a reduzir a história do continente à escravatura, à colonização e aos processos de independência.
A perspectiva defendida é a de que África possui uma história milenar, marcada por diferentes formas de organização social, actividade económica, produção de conhecimento e expressão cultural, cujo contributo para a evolução da humanidade merece maior reconhecimento.
Angola no debate sobre a memória africana
A conferência assume particular interesse para Angola, país cuja formação histórica está ligada a importantes estruturas políticas e culturais, entre as quais os antigos reinos do Kongo e do Ndongo, bem como ao percurso de figuras históricas como a Rainha Njinga Mbandi.
A valorização deste património constitui uma dimensão relevante do debate sobre a identidade nacional e a necessidade de reforçar o ensino, a investigação e a divulgação da história angolana junto das novas gerações.
Neste contexto, o encontro poderá igualmente suscitar reflexões sobre o papel das universidades, dos investigadores, dos professores e dos órgãos de comunicação social na preservação da memória colectiva e na produção de conhecimento sobre África.
Ao promover a conferência, a Fundação Bornito de Sousa procura contribuir para a valorização da educação, da cultura e do conhecimento histórico, num momento em que a afirmação africana no contexto internacional também passa pela capacidade de os próprios africanos investigarem, interpretarem e divulgarem a sua trajectória.
Mais do que revisitar acontecimentos do passado, a iniciativa coloca em debate a importância de conhecer a história para compreender o presente, fortalecer a identidade colectiva e ampliar a participação dos africanos na construção das narrativas sobre o seu continente.



































